sexta-feira, 29 de julho de 2011

Bancos Chineses no Brasil e nossas restrições ao capital estrangeiro



O Brasil é um país em crise de identidade. 

Existem várias restrições ao capital estrangeiro no Brasil. É proibido aos investidores estrangeiros, por exemplo, atuar nas seguintes áreas:
  • desenvolvimento de atividades envolvendo energia nuclear;
  • serviços de saúde;
  • serviços de correios e telégrafos;
  • indústria aeroespacial


Contudo, há uma omissão conveniente na legislação no que diz respeito aos bancos. O histórico é um pouco conturbado mas, em suma, o investimento estrangeiro no setor bancário permanece numa espécie de limbo legal, sem uma regulamentação clara e precisa. É como se ele fosse suportado, ao invés de permitido. 

Digo também que essa omissão é conveniente porque o setor bancário permite ao investidor estrangeiro atuar praticamente em qualquer área, mesmo nos setores industriais proibidos. A atuação se daria através de financiamentos, hipotecas e controles. Mas seria bem real e impactante. 

Vejam o exemplo dos serviços de saúde. O capital estrangeiro não pode operar hospitais. Mas pode, através dos bancos, financiar seguros e planos de saúde. 

Para não falar da compra de imóveis rurais. De que adianta o governo proibir a venda a estrangeiros se os bancos estrangeiros podem vir ao Brasil  e financiar operações de arrendamento que durem 100 anos?

Estou dizendo tudo isso devido ao título da reportagem que saiu hoje na Folha de São Paulo, e que reproduzo ao final. Ela diz: "Bancos coroam invasão chinesa no Brasil". 

Invasão. Seriam eles alienígenas? (correção apontada por um colega. O objetivo era dizer "seriam eles alienígenas de marte?")

Não seria melhor dizer: Bancos Chineses injetam capital na economia brasileira. VIVA! 

Acho que a época da ditadura deixou cicatrizes incuráveis em nós. Onde está o espírito empreendedor e liberal? 

Nosso país quer uma classe média forte e vibrante, mas não admite abdicar dos controles do estado sobre todos os setores da economia. 

No dia em que percebermos que isso é uma incoerência, o Brasil será um país mais democrático (e coerente). 




Bancos coroam invasão chinesa no Brasil

Fonte: Folha de São Paulo, 29/07/11


Dois anos depois de desbancar os EUA da posição de principal destino das exportações brasileiras, a China passa a mirar também o mercado financeiro nacional, informam Sheila D'Amorim e Flávia Foreque em reportagem na Folha desta  sexta-feira.

Com a vinda, em 2010, do Banco da China, um dos maiores do mundo, outras duas instituições manifestaram desejo de operar no Brasil --e aguardam autorização do Banco Central.
Folha apurou que o Banco de Desenvolvimento, uma espécie de BNDES local, também quer expandir sua atuação aqui.
Além disso, com dinheiro sobrando em casa, os chineses se tornaram parceiros ideais para bancos de pequeno e médio porte brasileiros, que precisam reforçar o capital.
Editoria de Arte/Folhapress

2 comentários:

  1. Olá Adler! Creio que este não é um problema estritamente brasileiro. As grandes mudanças que ocorreram na economia internacional nos últimos tempos deixaram os Estados (desenvolvidos, em desenvolvimentos e os menos desenvolvidos) um tanto quanto confusos, perdidos. Prova disso, são seus discursos liberais, defensores do livre comércio, enquanto na prática suas políticas são absolutamente protecionistas. As mudanças foram tão rápidas, que não conseguiram se firmar na "cultura" dos países.

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  2. Larissa,

    Eu concordo, em parte. Realmente os países com maior pib per capita têm tido alguns tropeças na aplicação de suas próprias teorias. Mas eles já partem de um patamar elevado e de uma orientação bastante clara.

    Já o Brasil parte de um cenário misto e muito complexo e tem dificuldades de se endireitar num modelo legal e econômico mais propício à geração de riqueza.

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